Empreendedorismo cresce entre pessoas com mais de 60 anos no Brasil

Criança em ambiente acolhedor representando proteção a dependentes de vítimas de feminicídio`

Patrícia Steffanello | Assessoria de Comunicação

Imagem: Pixabay

O Brasil já tem 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos. O número cresceu quase 59% em dez anos, segundo dados do Sebrae Nacional. Esse movimento faz parte da chamada Economia Prateada, formada por pessoas maduras que seguem ativas no mercado, seja por escolha, necessidade ou desejo de continuar produzindo. 


Esse crescimento tem algumas explicações. A primeira delas é o aumento da expectativa de vida. Os brasileiros estão vivendo mais e, em muitos casos, chegam aos 60 anos com disposição, conhecimento e vontade de continuar trabalhando. Outra razão é a dificuldade de permanência no mercado formal, já que muitas pessoas mais velhas ainda enfrentam preconceito pela idade.



Também há um fator financeiro importante. Para muitos idosos, a aposentadoria não é suficiente para cobrir todas as despesas da casa. Gastos com remédios, alimentação, moradia, apoio a filhos e netos e cuidados com a saúde pesam no orçamento. Por isso, abrir um pequeno negócio acaba sendo uma alternativa para complementar a renda.


Na prática, esse empreendedorismo aparece de várias formas: venda de alimentos, costura, artesanato, comércio, consultorias, pequenos serviços, turismo e atividades ligadas à experiência acumulada ao longo da vida. Muitas vezes, a pessoa transforma uma habilidade antiga em fonte de renda.


Mas o dado também acende um alerta. O crescimento do empreendedorismo entre os 60+ acontece ao mesmo tempo em que muitos idosos enfrentam endividamento. Isso mostra que nem sempre empreender é apenas realização pessoal. Em alguns casos, é uma tentativa de reorganizar a vida financeira.


Por isso, a Economia Prateada precisa ser vista com atenção. Ela revela a força de uma geração que ainda quer participar, trabalhar e contribuir. Mas também mostra a necessidade de mais orientação, acesso a crédito responsável, educação financeira e proteção contra golpes e dívidas abusivas.


Mais do que falar sobre idosos empreendendo, o tema ajuda a entender uma mudança importante no Brasil: envelhecer não significa deixar de produzir. Mas também não pode significar trabalhar por falta de alternativa.

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