Regra 80/20 na Advocacia: Foco, Resultados e Crescimento Certo
Imagem: Gemini
Você percebe que seus dias são preenchidos por dezenas de tarefas, atendimentos, protocolos, reuniões, petições, cobranças, mas ao fim de tudo parece que a “real” entrega fica em segundo plano? Isso acontece porque muitos advogados dedicam energia para muitas tarefas de baixo impacto, enquanto poucas geram a maior parte dos resultados.
O economista italiano Vilfredo Pareto observou que aproximadamente 80 % da riqueza na Itália estava nas mãos de 20 % da população; esse mesmo padrão, adaptado, revela que cerca de 80 % dos resultados provêm de 20 % das causas. Ou seja: identificar quais são essas “causas vitais” no seu escritório e agir sobre elas faz toda a diferença.
1. O que significa para o advogado
Para você que atua na advocacia, aplicar a regra 80/20 significa olhar criticamente para onde você está colocando seu tempo, energia e recursos, e realinhar para aquilo que gera valor real. Segundo estudos de gestão de tempo, “approximately 20 % of your efforts produce 80 % of the results”.
Exemplos práticos:
- Talvez 20 % dos seus clientes gerem 80 % do seu faturamento.
- Talvez 20 % das suas atividades operacionais consumam 80 % do seu tempo, deixando pouco espaço para o que realmente importa: estratégia e relacionamento.
Ao identificar esses 20 % vitais, você libera-se do ciclo reativo e avança com foco e impacto.
2. Como descobrir seus 20 %
Passo A – Levante dados reais de uma semana ou um mês: quantas horas dedica a cada função (atendimento, produção, administrativo, marketing).
Passo B – Avalie resultados correspondentes: valor faturado por cliente, número de protocolos urgentes, retrabalho gerado.
Passo C – Identifique padrões: quais clientes, quais atividades, quais projetos realmente entregam mais valor?
Passo D – Classifique: marque os itens que representam o “pequeno mas vital” e os que, embora muitos, trazem pouco impacto.
3. Priorize, delegue ou elimine
Depois de mapear, aplique esta lógica:
- Priorize os 20 % que geram 80 % dos resultados: invista mais neles.
- Delegue ou automatize as tarefas que consumem tempo, mas geram pouco valor.
- Elimine ou minimize atividades que têm baixo impacto e atrapalham sua performance.
Dica prática: crie uma planilha simples com três colunas, Atividade/Cliente, Impacto percebido, Tempo gasto, e calcule a proporção para identificar onde está seu “gargalo invisível”.
4. Cuidado com os erros de interpretação
A regra 80/20 é poderosa, mas não mágica. Ela não significa que os outros 80 % devem ser ignorados, apenas que não mobilizam sua energia de modo eficiente. É um guia para foco, não para descaso.
Erro comum: focar no que incomoda e não no que traz resultado.
Erro inverso: achar que porque “é 20 %” pode fazer de qualquer jeito, não. A excelência continua sendo necessária.
5. Ferramentas complementares que fortalecem o 80/20
- Matriz GUT (Gravidade‑Urgência‑Tendência) para ordenar prioridades mesmo dentro dos 20 %.
- Controle de indicadores simples: ticket‑médio, tempo de resposta, taxa de conversão, para ver se você está realmente gerando mais valor.
- Ritual semanal de revisão: todo início de semana separe 30 minutos para checar se você está investindo nos 20 % certos.
6. Aplicação em escritórios de advocacia solos ou pequenos
Se você atua sozinho, use o 80/20 para decidir: “Qual cliente, qual tipo de demanda, qual serviço me dá mais resultado e menor desgaste?”
Se você já tem equipe, o 80/20 pode servir para definir quem é responsável pelos “clientes-âncora” ou pelos processos que geram maior rentabilidade, assim você escala sem perder qualidade.
7. Impacto direto na reputação, faturamento e sustentabilidade
Quando você tira o foco da “correria” e direciona para o que realmente importa:
- Eleva a qualidade do atendimento (ao escolher bem onde atuar).
- Ganha mais tempo para marketing, crescimento e inovação.
- Reduz custo emocional, retrabalho e falhas operacionais.
Em resumo: menos esforço desperdiçado + mais valor entregue = advocacia mais sustentável e reconhecida.
Conclusão
Aplicar a regra 80/20 na advocacia é um ato estratégico: permite sair do improviso, redirecionar energia e estruturar o crescimento com base no que realmente gera efeito. Se você deseja que seu escritório funcione como um negócio jurídico, não basta advogar, é preciso gerir com inteligência.
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Sheyla Borges de Liz





